ESG: o que é e qual sua importância
Atualmente, o próprio mercado financeiro vem cobrando posições mais sustentáveis das empresas e analisando seus critérios de investimento sob esse guarda-chuva: o ESG. Um exemplo conhecido é o de Larry Fink, CEO da Black Rock - o maior fundo de investimentos do mundo -, que tem destacado a importância de se contribuir positivamente para a sociedade, afirmando que empresas que não o fizerem deixarão de fazer sentido. Se você quer entender melhor esse termo cada vez mais comentado, está no lugar certo. Nesse texto explicaremos o que é ESG, como chegamos até esse conceito, quais suas vantagens para investidores e empresas, como avaliar uma corporação a partir deste critério e como o Brasil se comporta dentro desse cenário.

O desenvolvimento sustentável não é um tópico novo, apesar da discussão em torno do tema ter se tornado mais frequente nos últimos anos. A definição do conceito surgiu em 1987 em um documento da ONU, o Relatório Brundtland - Nosso Futuro Comum. Esse documento diz que: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades.” A ideia, porém, já era debatida antes mesmo da década de 80, no Clube de Roma e na Conferência de Estocolmo, por exemplo.

Hoje, o novo cenário da sustentabilidade empresarial é enxergado como uma agenda  importante na construção de uma marca forte. Ricardo Voltolini, CEO da Ideia Sustentável e da Plataforma Liderança com Valores, afirma: “(...) as marcas que não souberem construir sua reputação numa base sólida de propósito, valores éticos e compromissos claros com as pessoas e o meio ambiente certamente perderão o respeito e admiração dos seus públicos. O “caráter” vai se transformar num fator mais importante do que produtos e serviços na construção de relações consistentes de confiança”.

Nos últimos meses, esse pensamento se faz ainda mais pertinente visto que, pessoas, empresas, governos e terceiro setor, foram atingidos por duras consequências da crise causada pela COVID-19. Atualmente, o próprio mercado financeiro vem cobrando posições mais sustentáveis das empresas e analisando seus critérios de investimento sob esse guarda-chuva: o ESG. Um exemplo conhecido é o de Larry Fink, CEO da Black Rock - o maior fundo de investimentos do mundo -,  que tem destacado a importância de se contribuir positivamente para a sociedade, afirmando que empresas que não o fizerem deixarão de fazer sentido

Se você quer entender melhor esse termo cada vez mais comentado, está no lugar certo.  Nesse texto explicaremos o que é ESG, como chegamos até esse conceito, quais suas vantagens para investidores e empresas, como avaliar uma corporação a partir deste critério e como o Brasil se comporta dentro desse cenário. Boa leitura!

O que é ESG?

ESG é uma  sigla em inglês e quer dizer “environmental, social and governance (ambiental, social e governança - em português), geralmente usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa. As métricas sócio-ambientais auxiliam investidores a entender aspectos relacionados aos direitos humanos e trabalhistas, relacionamento com o ambiente natural, impactos em comunidades e no público, o nível da governança (...), ajudando assim a direcionar os recursos para um investimento responsável. Cada uma das letras mostra o quão comprometida as empresas estão com o desenvolvimento sustentável.

Ambiental 

Refere-se à minimização dos impactos ambientais causados pela operação das empresas. Dentre as possíveis ações em relação a esse pilar, as empresas precisam investir em redução de CO2, logística reversa dos resíduos gerados pós-consumo, preservação da água e do meio ambiente, eficiência energética, entre outros.

Social 

Refere-se à preservação dos direitos de uma pessoa pertencente ao universo de uma empresa. Para tal, a empresa deve investir em segurança do trabalho, garantir o cumprimento das legislações trabalhistas e dos direitos humanos, investir na construção de um ambiente acolhedor e na construção de uma equipe heterogênea, incentivar boas práticas sociais junto à cadeia de valor e aos demais públicos de relacionamento, além de promover o bem-estar no ambiente de trabalho, por exemplo.

Governança 

Refere-se a uma boa administração corporativa. A contribuição empresarial dentro deste tema pode ocorrer a partir de ações como adotar as melhores práticas de governança corporativa, criar um conselho diverso, combater a corrupção e priorizar a ética, a transparência na prestação de contas e estruturar um comitê de auditoria.

Mas afinal, como chegamos até a sigla ESG?

Apesar do conceito de desenvolvimento sustentável ter sido definido no final da década de 80, conforme mencionado anteriormente, a preocupação com investimentos mais responsáveis deu seus primeiros passos 30 anos antes. Segundo o Guia Novo Valor - Sustentabilidade nas Empresas da B3, entre o período de 1950 e 1970, empresas que não prezavam por valores éticos e morais ou até mesmo se relacionavam com o regime apartheid na África do Sul já eram descartadas por alguns investidores norte-americanos e europeus. 


Na década seguinte, nos anos 80, a exclusão de empresas produtoras de armamentos, bebidas alcoólicas e tabaco das carteiras de investimento evoluiu para o favorecimento dos organizações com boas práticas ambientais, sociais e de governança, independente do ramo. Surge então a expressão best in class (o melhor da turma - em português) referente às empresas com os melhores desempenhos neste tripé


Passados mais alguns anos, já no finalzinho da década de 90, é criado o  Índice Dow Jones de Sustentabilidade de Nova York. O DJSI é um indicador de performance financeira das empresas líderes em sustentabilidade no mundo(best in class), consolidado como um dos mais importantes índices globais de sustentabilidade. Contudo, o movimento não se ateve somente às terras do Tio Sam e atravessou o oceano chegando até a Europa


Em 2001, a Bolsa de Londres lançou o FTSE4Good e a Bolsa de Valores de Joanesburgo, em 2004, lançou o SRI, ambos índices de sustentabilidade para investimentos financeiros. O Brasil também acompanhou essa movimentação e a BM&FBovespa, em conjunto com diversas outras empresas, criaram  o Índice de Sustentabilidade Empresarial no ano de 2005, índice de referência usado para guiar os investimentos socialmente responsáveis.


No mesmo ano, a sigla ESG surgiu pela primeira vez no relatório Who Cares Wins (ganha quem se importa - em portugês) resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas. De lá para cá, ainda segundo o Guia, o investimento responsável já representa mais de 20% dos ativos sob gestão profissional nos Estados Unidos e na Europa


Essa porcentagem representa a consolidação da sustentabilidade empresarial e por isso ESG é um termo cada vez mais utilizado por consultores financeiros, bancos e fundos de investimento


ESG é vantajoso para empresas e investidores

A adoção de práticas empresariais sustentáveis dentro dos três critérios ESG vai muito além do objetivo de construir uma imagem responsável no mercado. A sustentabilidade empresarial representa um conjunto de ações para tornar as operações da empresa ecologicamente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis

As empresas alinhadas a esse conceito, além dos impactos positivos proporcionados à sociedade, agregam valor aos seus produtos. Sabendo disso, investidores em todo o mundo vêm buscando priorizar companhias sustentáveis e socialmente responsáveis para serem beneficiárias de suas aplicações

Esse tipo de preferência se explica pelo chamado “investimentos socialmente responsáveis” (SRI), que entende que os empreendimentos sustentáveis são mais preparados para enfrentar riscos econômicos, ambientais e sociais. Desta forma produzindo valor para estes acionistas a longo prazo. É possível pontuar uma série de vantagens para alocar investimento nessas empresas:

 

Competitividade de longo prazo 

Em pesquisa sobre o cenário do consumo no Brasil, realizada pela Union + Webster em Fevereiro de 2020, mostrou que 87% dos consumidores dão preferência para comprar e consumir produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados pagariam mais caro por isso.  Com esse estudo pode-se entender que as empresas alinhadas ao novo comportamento do consumidor, apresentam certa vantagem competitiva, ou seja, possuem diferencial frente aos concorrentes

Mais fundamentos para aplicação 

Com o ESG, além dos critérios financeiros, outros fundamentos podem ser utilizados para analisar um investimento. De acordo com Larry Fink: “os fatores ESG estão se tornando cada vez mais dominantes, e não somente no que se refere à sustentabilidade, mas também sobre como as empresas evoluirão para se tornarem muito mais engajadas socialmente.”

Transparência e confiança nas empresas

Os investimentos ESG devem promover transparência nas prestações de contas e nas próximas ações. Essa prática traz mais credibilidade às empresas e diminui a possibilidade de crises envolvendo o nome da marca, o que poderia desvalorizar os investimentos aplicados.  Dessa forma, atrai-se ainda mais engajamento dos investidores e possíveis investimentos para a empresa.

 

Motivações por trás do ESG

A Morgan Stanley Capital International, MSCI, empresa americana verificadora do desempenho das principais bolsas de valores, identificou três objetivos ou motivações comuns entre investidores que consideram o uso de uma estratégia ESG: integração, valores e impacto.

 

Integração ESG: incorporar fatores ESG na análise dos ativos visando a construção de um portfólio resiliente e sustentável, melhorando sua relação risco-retorno de longo prazo.

 

Valores: alinhar os investimentos com os valores éticos do investidor, seja ele um indivíduo ou uma organização.

 

Impacto: buscar investimentos que geram impactos sociais ou ambientais positivos, que muitas vezes são colocados à frente do retorno financeiro.

 

Como medir os critérios ESG das empresas

 Para atender os critérios ESG, as empresas devem promover uma série de ações alinhadas à responsabilidade socioambiental e à ética corporativa, incorporando o seu conceito no dia-a-dia das suas operações como um todo. Empresas como a MSCI e a Morningstar possuem ferramentas para auxiliar os investidores a encontrar as empresas com as práticas mais alinhadas ao ESG. Equipes de pesquisadores vão a fundo nas questões relacionadas às métricas ESG e atribuem notas de classificação de risco de crédito.

 

O passo inicial nesse processo é buscar respostas para perguntas como "quais questões ambientais, sociais e de governança são financeiramente relevantes para cada companhia ou indústria?" ou "como as companhias estão lidando com esses riscos e como esses riscos podem afetar o valor de longo prazo da empresa?".

 

A metodologia da MSCI divide os 3 pilares ESG em 10 temas que, por sua vez, são divididos em 37 questões chaves. Na imagem abaixo podemos ver um resumo do método de avaliação.

Metodologia da MSCI de avaliação ESG / Fonte: MSCI ESG Ratings Methodology

 

Como o Brasil performa dentro desse cenário?

Desde a iniciativa da B3 em criar o ISE, os olhos dos investidores brasileiros e até os internacionais têm ficado mais atentos para o tema ESG dentro do Brasil. A metodologia de avaliação das empresas desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp), tornou-se referência mundial pelo seu pioneirismo no país, modelo de governança e construção compartilhada com a sociedade.

A última carteira do ISE, anunciada dia 1 de Dezembro de 2020, é composta por 39 companhias e representa 15 setores além de somar 1,8 trilhões de reais em valor de mercado. Esse número equivale a 38% do valor total de mercado das companhias com ações negociadas na B3 com base no fechamento em 20 de Novembro de 2020. Desde a criação do ISE, a rentabilidade das ações apresentou aumento de +294,73% contra +245,06% do Ibovespa (base de fechamento em 25/11/2020). 


Em Setembro de 2020, em outra ação da B3, agora em parceria com a S&P Dow Jones, foi lançado o índice S&P/B3 Brasil ESG. Sendo composto por 96 empresas, a maior participação é a de empresas do setor financeiro, com 23,9%,  seguido pelo setor de consumo discricionário (bens não necessários) ocupando 17,6% da carteira e o setor industrial com 13,2%.  O novo índice procura medir a performance de empresas alinhadas aos critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Entre as 10 ações com maior relevância no índice estão Natura, Itaú, Bradesco, Cemig, Telefônica, Tim e Klabin.


Gleice Donini, superintendente de Sustentabilidade da B3, afirma em nota: “Num momento em que a agenda ESG se torna cada vez mais relevante para investidores no mundo todo, a B3 traz para o mercado um novo índice para compor seu portfólio. O ISE e o ICO2 já são referenciais da temática para os investidores, e nossa estratégia é proporcionar a eles mais uma alternativa nesse segmento”, 


Ações como as da B3 para identificar empresas mais alinhadas à sustentabilidade ajudam o mercado financeiro a alocar seus recursos em empresas aderentes ao ESG e mostram como as instituições brasileiras têm trabalhado para consolidar o conceito dentro do país.  


Esses índices mostram também o quão rentável é para as empresas investir em sustentabilidade, ponto de suma importância uma vez que diversas empresas fecharam por falta de recursos ou estão sofrendo com o impacto econômico causado pela pandemia. Mesmo nesse período de crise, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontou um crescimento de 29% dos fundos ESG no Brasil em Junho de 2020, comparado ao mesmo período do ano anterior. Em valores, as ações sustentáveis representam 543,4 milhões de reais.


Investir em ESG é o melhor caminho para combater os efeitos da pandemia

Você com certeza conhece alguém que perdeu o emprego durante a pandemia, passou (ou ainda está passando) por dificuldades ou até empresas que tiveram suas portas fechadas pela crise econômica. A COVID-19 revelou a fragilidade da estrutura na qual nossa sociedade se apoia e colocou um holofote tanto na importância das questões sociais, quanto na interdependência entre os países, indivíduos e empresas. 


De acordo com Carlo Pereira, secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global, dos 200 maiores PIB’s do mundo, 153 são de empresas e isso pode representar um potencial extremamente construtivo - ou destrutivo. Por possuir maior poder econômico, ser fonte de inovações tecnológicas e ter grande influência sob diversas esferas da sociedade, o setor privado desempenha um papel determinante para minimizar os efeitos sociais, econômicos e ambientais causados pelo novo coronavírus.

 

Essa mudança começará a ocorrer quando empresas passarem a investir mais em agendas como o ESG. Ao voltar suas ações empresariais para a sustentabilidade, a companhia está contribuindo positivamente com o mercado, a sociedade, o governo e até o terceiro setor. Conforme mencionamos, as vantagens são inúmeras além de fortalecer a organização e prepará-la para eventuais infortúnios como o período da nova pandemia.

 

Agora que você entendeu o conceito de ESG e conheceu alguns índices que o medem, que tal aprofundar seu conhecimento em um dos mais tradicionais? Conheça melhor o índice Dow Jones de Sustentabilidade neste texto



Referência

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável - ESG: as três letras que estão mudando os investimentos


B3 - Guia Novo Valor - Sustentabilidade nas Empresas


Blog Nubank - O que a sigla ESG quer dizer sobre uma empresa?


Genial Investimentos - ESG: Entenda o que é e se vale a pena investir


XP Investimentos - ESG de A a Z: Tudo o que você precisa saber sobre o tema


XP Investimentos - O retorno de um mundo melhor: incorporando fatores ESG em seus investimentos


Agência Sistema Fiep - 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas sustentáveis


Valor Investe - Conheça quais investimentos sustentáveis estão disponíveis para o brasileiro

ESG: o que é e qual sua importância
August 13, 2021 6:26 PM
Atualmente, o próprio mercado financeiro vem cobrando posições mais sustentáveis das empresas e analisando seus critérios de investimento sob esse guarda-chuva: o ESG. Um exemplo conhecido é o de Larry Fink, CEO da Black Rock - o maior fundo de investimentos do mundo -, que tem destacado a importância de se contribuir positivamente para a sociedade, afirmando que empresas que não o fizerem deixarão de fazer sentido. Se você quer entender melhor esse termo cada vez mais comentado, está no lugar certo. Nesse texto explicaremos o que é ESG, como chegamos até esse conceito, quais suas vantagens para investidores e empresas, como avaliar uma corporação a partir deste critério e como o Brasil se comporta dentro desse cenário.

O desenvolvimento sustentável não é um tópico novo, apesar da discussão em torno do tema ter se tornado mais frequente nos últimos anos. A definição do conceito surgiu em 1987 em um documento da ONU, o Relatório Brundtland - Nosso Futuro Comum. Esse documento diz que: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades.” A ideia, porém, já era debatida antes mesmo da década de 80, no Clube de Roma e na Conferência de Estocolmo, por exemplo.

Hoje, o novo cenário da sustentabilidade empresarial é enxergado como uma agenda  importante na construção de uma marca forte. Ricardo Voltolini, CEO da Ideia Sustentável e da Plataforma Liderança com Valores, afirma: “(...) as marcas que não souberem construir sua reputação numa base sólida de propósito, valores éticos e compromissos claros com as pessoas e o meio ambiente certamente perderão o respeito e admiração dos seus públicos. O “caráter” vai se transformar num fator mais importante do que produtos e serviços na construção de relações consistentes de confiança”.

Nos últimos meses, esse pensamento se faz ainda mais pertinente visto que, pessoas, empresas, governos e terceiro setor, foram atingidos por duras consequências da crise causada pela COVID-19. Atualmente, o próprio mercado financeiro vem cobrando posições mais sustentáveis das empresas e analisando seus critérios de investimento sob esse guarda-chuva: o ESG. Um exemplo conhecido é o de Larry Fink, CEO da Black Rock - o maior fundo de investimentos do mundo -,  que tem destacado a importância de se contribuir positivamente para a sociedade, afirmando que empresas que não o fizerem deixarão de fazer sentido

Se você quer entender melhor esse termo cada vez mais comentado, está no lugar certo.  Nesse texto explicaremos o que é ESG, como chegamos até esse conceito, quais suas vantagens para investidores e empresas, como avaliar uma corporação a partir deste critério e como o Brasil se comporta dentro desse cenário. Boa leitura!

O que é ESG?

ESG é uma  sigla em inglês e quer dizer “environmental, social and governance (ambiental, social e governança - em português), geralmente usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa. As métricas sócio-ambientais auxiliam investidores a entender aspectos relacionados aos direitos humanos e trabalhistas, relacionamento com o ambiente natural, impactos em comunidades e no público, o nível da governança (...), ajudando assim a direcionar os recursos para um investimento responsável. Cada uma das letras mostra o quão comprometida as empresas estão com o desenvolvimento sustentável.

Ambiental 

Refere-se à minimização dos impactos ambientais causados pela operação das empresas. Dentre as possíveis ações em relação a esse pilar, as empresas precisam investir em redução de CO2, logística reversa dos resíduos gerados pós-consumo, preservação da água e do meio ambiente, eficiência energética, entre outros.

Social 

Refere-se à preservação dos direitos de uma pessoa pertencente ao universo de uma empresa. Para tal, a empresa deve investir em segurança do trabalho, garantir o cumprimento das legislações trabalhistas e dos direitos humanos, investir na construção de um ambiente acolhedor e na construção de uma equipe heterogênea, incentivar boas práticas sociais junto à cadeia de valor e aos demais públicos de relacionamento, além de promover o bem-estar no ambiente de trabalho, por exemplo.

Governança 

Refere-se a uma boa administração corporativa. A contribuição empresarial dentro deste tema pode ocorrer a partir de ações como adotar as melhores práticas de governança corporativa, criar um conselho diverso, combater a corrupção e priorizar a ética, a transparência na prestação de contas e estruturar um comitê de auditoria.

Mas afinal, como chegamos até a sigla ESG?

Apesar do conceito de desenvolvimento sustentável ter sido definido no final da década de 80, conforme mencionado anteriormente, a preocupação com investimentos mais responsáveis deu seus primeiros passos 30 anos antes. Segundo o Guia Novo Valor - Sustentabilidade nas Empresas da B3, entre o período de 1950 e 1970, empresas que não prezavam por valores éticos e morais ou até mesmo se relacionavam com o regime apartheid na África do Sul já eram descartadas por alguns investidores norte-americanos e europeus. 


Na década seguinte, nos anos 80, a exclusão de empresas produtoras de armamentos, bebidas alcoólicas e tabaco das carteiras de investimento evoluiu para o favorecimento dos organizações com boas práticas ambientais, sociais e de governança, independente do ramo. Surge então a expressão best in class (o melhor da turma - em português) referente às empresas com os melhores desempenhos neste tripé


Passados mais alguns anos, já no finalzinho da década de 90, é criado o  Índice Dow Jones de Sustentabilidade de Nova York. O DJSI é um indicador de performance financeira das empresas líderes em sustentabilidade no mundo(best in class), consolidado como um dos mais importantes índices globais de sustentabilidade. Contudo, o movimento não se ateve somente às terras do Tio Sam e atravessou o oceano chegando até a Europa


Em 2001, a Bolsa de Londres lançou o FTSE4Good e a Bolsa de Valores de Joanesburgo, em 2004, lançou o SRI, ambos índices de sustentabilidade para investimentos financeiros. O Brasil também acompanhou essa movimentação e a BM&FBovespa, em conjunto com diversas outras empresas, criaram  o Índice de Sustentabilidade Empresarial no ano de 2005, índice de referência usado para guiar os investimentos socialmente responsáveis.


No mesmo ano, a sigla ESG surgiu pela primeira vez no relatório Who Cares Wins (ganha quem se importa - em portugês) resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas. De lá para cá, ainda segundo o Guia, o investimento responsável já representa mais de 20% dos ativos sob gestão profissional nos Estados Unidos e na Europa


Essa porcentagem representa a consolidação da sustentabilidade empresarial e por isso ESG é um termo cada vez mais utilizado por consultores financeiros, bancos e fundos de investimento


ESG é vantajoso para empresas e investidores

A adoção de práticas empresariais sustentáveis dentro dos três critérios ESG vai muito além do objetivo de construir uma imagem responsável no mercado. A sustentabilidade empresarial representa um conjunto de ações para tornar as operações da empresa ecologicamente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis

As empresas alinhadas a esse conceito, além dos impactos positivos proporcionados à sociedade, agregam valor aos seus produtos. Sabendo disso, investidores em todo o mundo vêm buscando priorizar companhias sustentáveis e socialmente responsáveis para serem beneficiárias de suas aplicações

Esse tipo de preferência se explica pelo chamado “investimentos socialmente responsáveis” (SRI), que entende que os empreendimentos sustentáveis são mais preparados para enfrentar riscos econômicos, ambientais e sociais. Desta forma produzindo valor para estes acionistas a longo prazo. É possível pontuar uma série de vantagens para alocar investimento nessas empresas:

 

Competitividade de longo prazo 

Em pesquisa sobre o cenário do consumo no Brasil, realizada pela Union + Webster em Fevereiro de 2020, mostrou que 87% dos consumidores dão preferência para comprar e consumir produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados pagariam mais caro por isso.  Com esse estudo pode-se entender que as empresas alinhadas ao novo comportamento do consumidor, apresentam certa vantagem competitiva, ou seja, possuem diferencial frente aos concorrentes

Mais fundamentos para aplicação 

Com o ESG, além dos critérios financeiros, outros fundamentos podem ser utilizados para analisar um investimento. De acordo com Larry Fink: “os fatores ESG estão se tornando cada vez mais dominantes, e não somente no que se refere à sustentabilidade, mas também sobre como as empresas evoluirão para se tornarem muito mais engajadas socialmente.”

Transparência e confiança nas empresas

Os investimentos ESG devem promover transparência nas prestações de contas e nas próximas ações. Essa prática traz mais credibilidade às empresas e diminui a possibilidade de crises envolvendo o nome da marca, o que poderia desvalorizar os investimentos aplicados.  Dessa forma, atrai-se ainda mais engajamento dos investidores e possíveis investimentos para a empresa.

 

Motivações por trás do ESG

A Morgan Stanley Capital International, MSCI, empresa americana verificadora do desempenho das principais bolsas de valores, identificou três objetivos ou motivações comuns entre investidores que consideram o uso de uma estratégia ESG: integração, valores e impacto.

 

Integração ESG: incorporar fatores ESG na análise dos ativos visando a construção de um portfólio resiliente e sustentável, melhorando sua relação risco-retorno de longo prazo.

 

Valores: alinhar os investimentos com os valores éticos do investidor, seja ele um indivíduo ou uma organização.

 

Impacto: buscar investimentos que geram impactos sociais ou ambientais positivos, que muitas vezes são colocados à frente do retorno financeiro.

 

Como medir os critérios ESG das empresas

 Para atender os critérios ESG, as empresas devem promover uma série de ações alinhadas à responsabilidade socioambiental e à ética corporativa, incorporando o seu conceito no dia-a-dia das suas operações como um todo. Empresas como a MSCI e a Morningstar possuem ferramentas para auxiliar os investidores a encontrar as empresas com as práticas mais alinhadas ao ESG. Equipes de pesquisadores vão a fundo nas questões relacionadas às métricas ESG e atribuem notas de classificação de risco de crédito.

 

O passo inicial nesse processo é buscar respostas para perguntas como "quais questões ambientais, sociais e de governança são financeiramente relevantes para cada companhia ou indústria?" ou "como as companhias estão lidando com esses riscos e como esses riscos podem afetar o valor de longo prazo da empresa?".

 

A metodologia da MSCI divide os 3 pilares ESG em 10 temas que, por sua vez, são divididos em 37 questões chaves. Na imagem abaixo podemos ver um resumo do método de avaliação.

Metodologia da MSCI de avaliação ESG / Fonte: MSCI ESG Ratings Methodology

 

Como o Brasil performa dentro desse cenário?

Desde a iniciativa da B3 em criar o ISE, os olhos dos investidores brasileiros e até os internacionais têm ficado mais atentos para o tema ESG dentro do Brasil. A metodologia de avaliação das empresas desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp), tornou-se referência mundial pelo seu pioneirismo no país, modelo de governança e construção compartilhada com a sociedade.

A última carteira do ISE, anunciada dia 1 de Dezembro de 2020, é composta por 39 companhias e representa 15 setores além de somar 1,8 trilhões de reais em valor de mercado. Esse número equivale a 38% do valor total de mercado das companhias com ações negociadas na B3 com base no fechamento em 20 de Novembro de 2020. Desde a criação do ISE, a rentabilidade das ações apresentou aumento de +294,73% contra +245,06% do Ibovespa (base de fechamento em 25/11/2020). 


Em Setembro de 2020, em outra ação da B3, agora em parceria com a S&P Dow Jones, foi lançado o índice S&P/B3 Brasil ESG. Sendo composto por 96 empresas, a maior participação é a de empresas do setor financeiro, com 23,9%,  seguido pelo setor de consumo discricionário (bens não necessários) ocupando 17,6% da carteira e o setor industrial com 13,2%.  O novo índice procura medir a performance de empresas alinhadas aos critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Entre as 10 ações com maior relevância no índice estão Natura, Itaú, Bradesco, Cemig, Telefônica, Tim e Klabin.


Gleice Donini, superintendente de Sustentabilidade da B3, afirma em nota: “Num momento em que a agenda ESG se torna cada vez mais relevante para investidores no mundo todo, a B3 traz para o mercado um novo índice para compor seu portfólio. O ISE e o ICO2 já são referenciais da temática para os investidores, e nossa estratégia é proporcionar a eles mais uma alternativa nesse segmento”, 


Ações como as da B3 para identificar empresas mais alinhadas à sustentabilidade ajudam o mercado financeiro a alocar seus recursos em empresas aderentes ao ESG e mostram como as instituições brasileiras têm trabalhado para consolidar o conceito dentro do país.  


Esses índices mostram também o quão rentável é para as empresas investir em sustentabilidade, ponto de suma importância uma vez que diversas empresas fecharam por falta de recursos ou estão sofrendo com o impacto econômico causado pela pandemia. Mesmo nesse período de crise, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontou um crescimento de 29% dos fundos ESG no Brasil em Junho de 2020, comparado ao mesmo período do ano anterior. Em valores, as ações sustentáveis representam 543,4 milhões de reais.


Investir em ESG é o melhor caminho para combater os efeitos da pandemia

Você com certeza conhece alguém que perdeu o emprego durante a pandemia, passou (ou ainda está passando) por dificuldades ou até empresas que tiveram suas portas fechadas pela crise econômica. A COVID-19 revelou a fragilidade da estrutura na qual nossa sociedade se apoia e colocou um holofote tanto na importância das questões sociais, quanto na interdependência entre os países, indivíduos e empresas. 


De acordo com Carlo Pereira, secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global, dos 200 maiores PIB’s do mundo, 153 são de empresas e isso pode representar um potencial extremamente construtivo - ou destrutivo. Por possuir maior poder econômico, ser fonte de inovações tecnológicas e ter grande influência sob diversas esferas da sociedade, o setor privado desempenha um papel determinante para minimizar os efeitos sociais, econômicos e ambientais causados pelo novo coronavírus.

 

Essa mudança começará a ocorrer quando empresas passarem a investir mais em agendas como o ESG. Ao voltar suas ações empresariais para a sustentabilidade, a companhia está contribuindo positivamente com o mercado, a sociedade, o governo e até o terceiro setor. Conforme mencionamos, as vantagens são inúmeras além de fortalecer a organização e prepará-la para eventuais infortúnios como o período da nova pandemia.

 

Agora que você entendeu o conceito de ESG e conheceu alguns índices que o medem, que tal aprofundar seu conhecimento em um dos mais tradicionais? Conheça melhor o índice Dow Jones de Sustentabilidade neste texto



Referência

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável - ESG: as três letras que estão mudando os investimentos


B3 - Guia Novo Valor - Sustentabilidade nas Empresas


Blog Nubank - O que a sigla ESG quer dizer sobre uma empresa?


Genial Investimentos - ESG: Entenda o que é e se vale a pena investir


XP Investimentos - ESG de A a Z: Tudo o que você precisa saber sobre o tema


XP Investimentos - O retorno de um mundo melhor: incorporando fatores ESG em seus investimentos


Agência Sistema Fiep - 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas sustentáveis


Valor Investe - Conheça quais investimentos sustentáveis estão disponíveis para o brasileiro

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