Como o consumo consciente ajuda na redução de lixo?
Nos últimos tempos há um esforço por parte da sociedade mundial em levar uma vida com mais responsabilidade ambiental. Parte disso é difundido pelo consumo consciente. Não sabe do que se trata esse movimento? Leia e entenda!

 Conteúdo produzido por Ideia Socioambiental

Segundo o art.225 da Constituição da República Federativa, de 1988, todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Apesar de ser um direito previsto em lei, todos sabemos que essa prerrogativa fica apenas no papel. Basta olhar ao redor que poderemos ver montanhas de lixo interferindo na natureza. Muitas pessoas, inclusive, parecem não assimilar coisas simples do dia a dia com o impacto que causam no meio ambiente.

No entanto, nos últimos tempos há um esforço por parte da sociedade mundial em levar uma vida com mais responsabilidade ambiental. Parte disso é difundido pelo consumo consciente. Não sabe do que se trata esse movimento? Continue lendo, explicaremos seus princípios e funcionamento. Além disso, você também poderá conferir como ele pode ser incorporado na indústria. 


Produção de lixo x consumo

Em artigo publicado na revista da Universidade de Caxias do Sul, a mestra em Direito Ambiental, Gabriella Castro Vieira, e a Mestra e Doutora em Direito Constitucional, Beatriz Souza Costa, afirmam que o desenvolvimento sustentável é um dos princípios do Direito Ambiental. Elas também afirmam que esse desenvolvimento inclui características econômicas e sociais. Sendo assim, podemos dizer que o nosso estilo de vida está diretamente ligado ao meio ambiente, visto que quanto mais consumimos e precisamos para manter nossos padrões de vida, mais lixo produzimos. 

Durante a 4ª Assembleia Ambiental da ONU, no ano passado, o presidente da Assembleia, Siim Kiisler, afirmou que apesar dos recentes avanços na redução de impactos ambientais ainda estamos longe de mudar certos padrões “as escolhas que fazemos em nossas vidas cotidianas continuam  a alimentar hábitos de consumo e produção que cada vez mais excedem os limites do nosso planeta”, disse.

Esta edição do evento, inclusive, teve como um dos principais assuntos em pauta a necessidade de fazer uma avaliação crítica de padrões de consumo e produção atuais.  Para se ter uma ideia, o Brasil é o 4° país do mundo que mais gera lixo plástico, segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2019. São mais de 11 milhões de toneladas todos os anos. Para reverter essa situação é preciso desenvolver soluções para cada elo do sistema. Ou seja, a produção, consumo e descarte não só de plástico, como também de outros resíduos. Isso inclui políticas públicas e mudanças no comportamento individual de cada um.  Por exemplo: Seu purificador de água quebrou? Veja a possibilidade de realizar o conserto de purificador de água ao invés de comprar um novo e descartar o antigo. O mesmo também vale para outros eletrodomésticos, roupas, entre outros bens de consumo. 

O consumo consciente 

Segundo estimativa da Global Footprint Network a Terra chegou em 2019 ao ponto máximo de recursos naturais que poderiam ser renovados sem gerar sobrecarga ao planeta três dias antes do que no ano anterior. 


Sendo assim, todos os recursos utilizados (água, mineração, petróleo, consumo de animais, plantio de alimentos, entre outros) representarão um déficit de recursos naturais. 


Na prática, isso quer dizer que a humanidade está consumindo mais do que o planeta consegue se regenerar. 


Porém, na contramão desse cenário um grupo cada vez mais crescente de pessoas está adotando um estilo de vida diferente ao consumir menos. 


Essas pessoas buscam considerar as consequências daquilo que compram para o meio ambiente. Além disso, elas também levam em conta na hora adquirir um produto a origem dele e como ele foi feito. 


Para a Akatu, entidade sem fins lucrativos destinada a mobilizar e estimular a sociedade para um consumo consciente, esse movimento não se trata de deixar de consumir. 


Para eles o consumo, muitas vezes, acontece de modo automático e impulsivo. Por esse motivo a sociedade deve transformar essa ato em algo melhor e diferente, de modo a levar em consideração os impactos de suas ações.


Isso significa adotar um estilo de vida mais sustentável e minimalista e estar ciente do poder por trás de nossas ações cotidianas.

  

Como esse movimento funciona na prática

Agora que você já sabe do que se trata, chegou a hora de aprender como colocar o consumo consciente em prática.


Para isso, pense nas seguintes seis questões durante o processo de compra:


  • Por que comprar?
  • O que comprar?
  • Como comprar?
  • De quem comprar?
  • Como usar?
  • Como descartar?


Essas seis perguntas irão te guiar pelo processo além de ajudar a criar uma consciência durante compra, uso e descarte de produtos. 


Para simplificar, pense da seguinte forma: você vê um anúncio em revista de um produto que é a sensação do momento e fica tentado a tê-lo.


Antes de fazer a comprar pergunte-se se você precisa realmente desse produto. Se a resposta for não, resista a tentação e não o compre apenas para o seu próprio prazer. 


Mas se caso a resposta for sim, defina as características mais importantes do produto, atente-se aonde você irá comprá-lo e verifique a responsabilidade socioambiental do fabricante durante a produção.


Lembre-se também de otimizar ao máximo o uso do produto para prolongar a vida útil dele e não se esqueça de o descartar de forma adequada. 


O mesmo vale para bens de consumo maiores, como imóveis e veículos. Ao visitar sites de anúncios de imóveis, por exemplo, leve com você a sua responsabilidade ambiental. 

Consciência nas indústrias 

Quando se trata das indústrias o consumo consciente deve estender-se também à produção e descarte de resíduos. 


No último caso essa é uma responsabilidade das empresas prevista em lei. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamenta e tipifica os lixos produzidos pelas indústrias bem como a maneira que eles devem ser descartados. 


 Os resíduos são divididos em três classes, são elas:


  • Classe 1: São os lixos perigosos, ou seja,  contaminantes e tóxicos (borras de tinta, óleos lubrificantes, graxas, entre outros);

  • Classe 2: Lixos não inertes ou possíveis contaminantes (fibras de vidro, lixas, gessos, etc.);

  • Classe 3:  Resíduos inertes são aqueles que não contaminam a água ou o solo, mas não se degradam facilmente na natureza (sucata, ferro, entulhos).


Dito isso, o descarte desses resíduos dependerá de sua classe. Dentre o métodos de descarte estão:


  • Coprocessamento;
  • Incineração;
  • Aterramento;
  • Reciclagem.


Uma empresa produtora de painel de led digital, por exemplo, terá muitos resíduos eletrônicos, como fios, peças eletrônicas, plástico, led, entre outros. 


Nesse caso, duas formas de montar uma linha de produção mais consciente e sustentável é reutilizar as peças descartadas ou fazer parcerias com cooperativas que realizam a coleta de lixo eletrônico.

Empresas de médias e pequenas, como é o caso de oficinas mecânicas, podem e devem aderir a esse movimento. 


No caso das oficinas, dezenas de quilos de borracha, óleos, entre outros resíduos, são descartados todos os dias em procedimentos que vão de revisão, troca de pneus e alinhamento de direção.


Ao otimizar o uso de materiais ou dar um destino apropriado a eles após o uso a oficina não só estará contribuindo com a diminuição do lixo produzido, como também poderá gerar mais lucros. 


Vida que queremos

O Vida que Queremos é uma campanha realizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). 


Lançado em 2019, o desafio tem por objetivo estimular as empresas participantes a cumprir as metas do 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Além disso, também tem como intuito promover a transformação do mercado, indústria e profissionais, a fim de aliar esforços para integrar os negócios a um país mais sustentável. 


Dentre as ações realizadas em prol da sustentabilidade estão:


  • Redução de energia;
  • Eficiência no uso de pneus; 
  •  Reutilização de resíduos na produção têxtil;
  • Descarte correto de resíduos;
  • Entre outros.


O Vida que Queremos e os movimentos na sociedade de consumo mostram que não há mais espaço para negligências de nenhuma parte.

É possível fomentar o desenvolvimento econômico e social de um país sem abrir mão dos cuidados com o meio ambiente. Sendo assim, o consumo consciente deve se tornar parte integrante da nossa sociedade caso queiramos garantir o futuro do planeta. 

Como o consumo consciente ajuda na redução de lixo?
October 30, 2020 5:57 PM
Nos últimos tempos há um esforço por parte da sociedade mundial em levar uma vida com mais responsabilidade ambiental. Parte disso é difundido pelo consumo consciente. Não sabe do que se trata esse movimento? Leia e entenda!

 Conteúdo produzido por Ideia Socioambiental

Segundo o art.225 da Constituição da República Federativa, de 1988, todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Apesar de ser um direito previsto em lei, todos sabemos que essa prerrogativa fica apenas no papel. Basta olhar ao redor que poderemos ver montanhas de lixo interferindo na natureza. Muitas pessoas, inclusive, parecem não assimilar coisas simples do dia a dia com o impacto que causam no meio ambiente.

No entanto, nos últimos tempos há um esforço por parte da sociedade mundial em levar uma vida com mais responsabilidade ambiental. Parte disso é difundido pelo consumo consciente. Não sabe do que se trata esse movimento? Continue lendo, explicaremos seus princípios e funcionamento. Além disso, você também poderá conferir como ele pode ser incorporado na indústria. 


Produção de lixo x consumo

Em artigo publicado na revista da Universidade de Caxias do Sul, a mestra em Direito Ambiental, Gabriella Castro Vieira, e a Mestra e Doutora em Direito Constitucional, Beatriz Souza Costa, afirmam que o desenvolvimento sustentável é um dos princípios do Direito Ambiental. Elas também afirmam que esse desenvolvimento inclui características econômicas e sociais. Sendo assim, podemos dizer que o nosso estilo de vida está diretamente ligado ao meio ambiente, visto que quanto mais consumimos e precisamos para manter nossos padrões de vida, mais lixo produzimos. 

Durante a 4ª Assembleia Ambiental da ONU, no ano passado, o presidente da Assembleia, Siim Kiisler, afirmou que apesar dos recentes avanços na redução de impactos ambientais ainda estamos longe de mudar certos padrões “as escolhas que fazemos em nossas vidas cotidianas continuam  a alimentar hábitos de consumo e produção que cada vez mais excedem os limites do nosso planeta”, disse.

Esta edição do evento, inclusive, teve como um dos principais assuntos em pauta a necessidade de fazer uma avaliação crítica de padrões de consumo e produção atuais.  Para se ter uma ideia, o Brasil é o 4° país do mundo que mais gera lixo plástico, segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2019. São mais de 11 milhões de toneladas todos os anos. Para reverter essa situação é preciso desenvolver soluções para cada elo do sistema. Ou seja, a produção, consumo e descarte não só de plástico, como também de outros resíduos. Isso inclui políticas públicas e mudanças no comportamento individual de cada um.  Por exemplo: Seu purificador de água quebrou? Veja a possibilidade de realizar o conserto de purificador de água ao invés de comprar um novo e descartar o antigo. O mesmo também vale para outros eletrodomésticos, roupas, entre outros bens de consumo. 

O consumo consciente 

Segundo estimativa da Global Footprint Network a Terra chegou em 2019 ao ponto máximo de recursos naturais que poderiam ser renovados sem gerar sobrecarga ao planeta três dias antes do que no ano anterior. 


Sendo assim, todos os recursos utilizados (água, mineração, petróleo, consumo de animais, plantio de alimentos, entre outros) representarão um déficit de recursos naturais. 


Na prática, isso quer dizer que a humanidade está consumindo mais do que o planeta consegue se regenerar. 


Porém, na contramão desse cenário um grupo cada vez mais crescente de pessoas está adotando um estilo de vida diferente ao consumir menos. 


Essas pessoas buscam considerar as consequências daquilo que compram para o meio ambiente. Além disso, elas também levam em conta na hora adquirir um produto a origem dele e como ele foi feito. 


Para a Akatu, entidade sem fins lucrativos destinada a mobilizar e estimular a sociedade para um consumo consciente, esse movimento não se trata de deixar de consumir. 


Para eles o consumo, muitas vezes, acontece de modo automático e impulsivo. Por esse motivo a sociedade deve transformar essa ato em algo melhor e diferente, de modo a levar em consideração os impactos de suas ações.


Isso significa adotar um estilo de vida mais sustentável e minimalista e estar ciente do poder por trás de nossas ações cotidianas.

  

Como esse movimento funciona na prática

Agora que você já sabe do que se trata, chegou a hora de aprender como colocar o consumo consciente em prática.


Para isso, pense nas seguintes seis questões durante o processo de compra:


  • Por que comprar?
  • O que comprar?
  • Como comprar?
  • De quem comprar?
  • Como usar?
  • Como descartar?


Essas seis perguntas irão te guiar pelo processo além de ajudar a criar uma consciência durante compra, uso e descarte de produtos. 


Para simplificar, pense da seguinte forma: você vê um anúncio em revista de um produto que é a sensação do momento e fica tentado a tê-lo.


Antes de fazer a comprar pergunte-se se você precisa realmente desse produto. Se a resposta for não, resista a tentação e não o compre apenas para o seu próprio prazer. 


Mas se caso a resposta for sim, defina as características mais importantes do produto, atente-se aonde você irá comprá-lo e verifique a responsabilidade socioambiental do fabricante durante a produção.


Lembre-se também de otimizar ao máximo o uso do produto para prolongar a vida útil dele e não se esqueça de o descartar de forma adequada. 


O mesmo vale para bens de consumo maiores, como imóveis e veículos. Ao visitar sites de anúncios de imóveis, por exemplo, leve com você a sua responsabilidade ambiental. 

Consciência nas indústrias 

Quando se trata das indústrias o consumo consciente deve estender-se também à produção e descarte de resíduos. 


No último caso essa é uma responsabilidade das empresas prevista em lei. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamenta e tipifica os lixos produzidos pelas indústrias bem como a maneira que eles devem ser descartados. 


 Os resíduos são divididos em três classes, são elas:


  • Classe 1: São os lixos perigosos, ou seja,  contaminantes e tóxicos (borras de tinta, óleos lubrificantes, graxas, entre outros);

  • Classe 2: Lixos não inertes ou possíveis contaminantes (fibras de vidro, lixas, gessos, etc.);

  • Classe 3:  Resíduos inertes são aqueles que não contaminam a água ou o solo, mas não se degradam facilmente na natureza (sucata, ferro, entulhos).


Dito isso, o descarte desses resíduos dependerá de sua classe. Dentre o métodos de descarte estão:


  • Coprocessamento;
  • Incineração;
  • Aterramento;
  • Reciclagem.


Uma empresa produtora de painel de led digital, por exemplo, terá muitos resíduos eletrônicos, como fios, peças eletrônicas, plástico, led, entre outros. 


Nesse caso, duas formas de montar uma linha de produção mais consciente e sustentável é reutilizar as peças descartadas ou fazer parcerias com cooperativas que realizam a coleta de lixo eletrônico.

Empresas de médias e pequenas, como é o caso de oficinas mecânicas, podem e devem aderir a esse movimento. 


No caso das oficinas, dezenas de quilos de borracha, óleos, entre outros resíduos, são descartados todos os dias em procedimentos que vão de revisão, troca de pneus e alinhamento de direção.


Ao otimizar o uso de materiais ou dar um destino apropriado a eles após o uso a oficina não só estará contribuindo com a diminuição do lixo produzido, como também poderá gerar mais lucros. 


Vida que queremos

O Vida que Queremos é uma campanha realizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). 


Lançado em 2019, o desafio tem por objetivo estimular as empresas participantes a cumprir as metas do 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Além disso, também tem como intuito promover a transformação do mercado, indústria e profissionais, a fim de aliar esforços para integrar os negócios a um país mais sustentável. 


Dentre as ações realizadas em prol da sustentabilidade estão:


  • Redução de energia;
  • Eficiência no uso de pneus; 
  •  Reutilização de resíduos na produção têxtil;
  • Descarte correto de resíduos;
  • Entre outros.


O Vida que Queremos e os movimentos na sociedade de consumo mostram que não há mais espaço para negligências de nenhuma parte.

É possível fomentar o desenvolvimento econômico e social de um país sem abrir mão dos cuidados com o meio ambiente. Sendo assim, o consumo consciente deve se tornar parte integrante da nossa sociedade caso queiramos garantir o futuro do planeta. 

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